No Brasil, o assunto ainda é
tabu, inclusive entre médicos. Mas quem usa afirma que o produto é
confortável, com baixo risco de infecções, econômico e ecologicamente
correto
Nos últimos anos, mais brasileiras se tornaram adeptas do coletor
menstrual, mesmo assim o assunto ainda é um tabu para a maioria das
mulheres. Inclusive, se esta for a primeira vez em que você ouve falar
em coletor menstrual, saiba que ele existe desde a década de 30.
O
coletor menstrual é um copinho de silicone hipoalérgico e
antibacteriano, ajustável ao corpo e que coleta o sangue da menstruação.
Ele é maleável, o que facilita na hora de colocar na vagina. Diferente
do absorvente interno, que é inserido ao fundo do canal vaginal, o
coletor fica na entrada da vagina.
No
Brasil, os preços variam R$ 85 e R$ 155, mas é difícil encontrá-lo em
farmácias. Porém, algumas empresas vendem pela internet. O tamanho
varia. Existem marcas que oferecem até quatro tamanhos de coletor
menstrual, mas a maioria vende apenas dois tamanhos: um para a mulher
que já teve filhos e o outro para quem não tem. Se for colocado
corretamente, não corre risco de o sangue vazar, a menos que a mulher
tenha um fluxo muito intenso.
A professora Iara Araújo, 23 anos,
usa o coletor menstrual há oito meses. Começou usando o absorvente
comum, depois o interno, mas os dois tipos a incomodavam. “Sempre achei
nojento o contato do sangue com a pele e já tive reação alérgica ao
absorvente comum. Mudei para o interno, mas ainda sentia desconforto.
Pesquisei sobre outro meio e descobri o coletor”, explicou Iara. Além
disso, para ela, o “copinho de silicone” é mais confortável, sustentável
e econômico.
Não existem contra-indicações, mas não é
aconselhável para mulheres que nunca tiveram relações sexuais, pois ao
colocar ou retirar o coletor, o hímen pode se romper. É imprudente
também nos primeiros dias após dar à luz.
Segundo a chefe da ginecologia no Hospital Materno
Infantil de Brasília (HMIB), Lucila Nagata, as pacientes que usam
coletor ainda são minoria. “Culturalmente, o absorvente externo é o mais
comum. Além disso, mais fácil de ser comprado e com menos tabus”,
explica a ginecologista. Ela defende ainda que o coletor é a melhor
opção para quem já teve reação alérgica aos outros tipos de absorventes.
A ginecologista Isa Maria de Mello é
contra o uso do coletor menstrual. Para ela, não existem justificativas
para reaproveitar algo que é colocado dentro do corpo. “É
anti-higiênico. Na era moderna, não faz sentido reaproveitar algo, se
posso jogar fora. Digo como médica e como mulher, isso remete ao tempo
da toalhinha”, frisa a médica.
Curiosidades
Durante
a vida, uma mulher usa, em média, mais de 10 mil absorventes, seja ele
externo ou interno. O externo leva 100 anos para se degradar na
natureza, enquanto o interno leva até um ano. O coletor menstrual é
ecologicamente correto.
Por ano, a mulher gasta cerca de R$ 100
com absorvente externo. Em 10 anos, ela terá gasto R$ 1 mil. Então a
economia é no mínimo de R$ 915. O grupo Coletores Brasil reúne mulheres que se interessam sobre o assunto e compartilham experiências.
Tira-dúvidas
Como colocar?
Basta
dobrar o coletor e inseri-lo na vagina, lembrando que não precisa
empurrá-lo até o fundo, igual o absorvente interno. Ao colocar ele todo,
o coletor vai abrir e fazer um barulhinho, o que significa que foi
colocado corretamente.
Quanto tempo dura?
Higienizado de forma correta, de cinco a dez anos.
Como devo higienizar o coletor menstrual?
Com água fria e sabão neutro. A cada ciclo, o ideal é limpar com água fervente.
Devo esvaziar o coletor com qual intervalo de tempo?
Isso
depende do fluxo menstrual de cada mulher. Se for intenso, a cada 6
horas. Mas pode chegar até 12 horas direto, com fluxo normal.
Posso ter candidíase ou outras doenças por usar o coletor?
Os
fungos gostam de calor e umidade, então se a mulher já tiver uma
pré-disposição à doença, não fizer a higienização do coletor
corretamente, for para a piscina e ficar horas com o biquíni úmido, pode
correr o risco. Caso contrário, o uso do coletor não causa infecções.
O cheiro é forte?
Como o sangue não entra em contato com algodão ou oxigênio, o odor é bem menor comparado aos outros tipos de absorventes.
Atrapalha ao urinar?
Não.
Incomoda?
Nas
primeiras vezes sim. Mas depois que a mulher consegue colocar do jeito
correto é mais confortável do que os outros tipos de absorventes.
Posso praticar esportes?
Sim. Com o coletor a mulher pode malhar, nadar, correr. No caso de fluxo intenso, é aconselhável esporte com menor impacto.
Qual o tamanho e para que serve a haste do coletor?
O
tamanho é entre 7cm e 9cm. A haste serve para retirá-lo da vagina. Ela
deve ser cortada até a mulher achar o tamanho ideal, para não incomodar
quando estiver dentro do corpo.
Posso dormir com ele?
Sim.
Melhor forma de higienização?
Durante o banho.
Interfere na lubrificação vaginal ou altera o PH da vagina?
Não.
O coletor menstrual não absorve nada. Ele apenas coleta o sangue,
diferente dos outros tipos de absorventes. E não altera o PH vaginal.
Posso emprestar para uma amiga?
Não. É de uso pessoal e intransferível, para evitar transmissão de doenças.
Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2015/03/02/interna_ciencia_saude,473623/uso-do-coletor-menstrual-provoca-polemica-recomendavel-ou-nao.shtml